SMS: A LIDERGIA® para o trabalho em equipe. 7 – O efeito Hawthorne

O efeito Hawthorne é um conceito originado nos Estados Unidos nos anos 1920 e onde pode ser observado uma mudança positiva no comportamento dos colaboradores quando eles se sentiam valorizados pela liderança da empresa, fato que se relacionava diretamente com a sua produtividade.

A ciência da Administração nos ensina que, no passado, os colaboradores das empresas eram considerados como máquinas, robôs ou recursos, e onde seus sentimentos e emoções não poderiam ser expressados de forma alguma. O motivo, acreditava-se, era que estas expressões humanas não teriam influência na produtividade daqueles colaboradores.

Entretanto, em 1927, a Western Electric Company, empresa situada em Chicago, no estado de Illinois (EUA), no bairro de Hawthorne, contratou uma equipe capitaneada por Elton Mayo e Fritz Roethlisberger para realizarem um estudo onde fosse relacionada a produtividade com as condições físicas de trabalho.

Este estudo foi realizado em várias fases, onde várias variáveis foram estudadas.

Na primeira fase foi estudada a influência da iluminação da produtividade. Os pesquisadores verificaram que aumentando ou diminuindo a iluminação, a produtividade sempre apresentava resultados positivos.

Na segunda fase do estudo a produtividade foi estudada entre dois grupos, um experimental onde as condições de trabalho estavam sujeitas a mudanças, e outro grupo controle, onde o trabalho era realizado em condições constantes. Ambos os grupos tinham um supervisor e um observador.

As conclusões desta fase foram:

– colaboradores apreciaram mais o trabalho visto que era mais divertido e a supervisão era suave, diferentemente do grupo controle, onde a supervisão era mais rígida, o que permitia que se trabalhasse com menos ansiedade e mais liberdade;

– o ambiente era amistoso e sem pressões e a conversa era permitida, aumentando a satisfação com o trabalho;

– não havia medo devido à presença do supervisor visto que este também trabalhava como um orientador;

– houve o desenvolvimento social do grupo experimental, com a formação de novas amizades e formação de uma equipe;

– o grupo experimental acabou por desenvolver objetivos comuns, como aumentar sua produtividade.

Considerando estes resultados, a terceira fase foi pautada por entrevistas onde os funcionários dessem a conhecer suas atitudes, sentimentos e opiniões quanto ao trabalho realizado como também manifestar suas sugestões a respeito do treinamento dos supervisores.

Daí surgiu o conceito de efeito Hawthorne que nada mais é do que uma mudança de comportamento dos colaboradores pelo fato de saberem que estão sendo observados e sendo focos de atenção de líderes e gestores. Este fato criou nos colaboradores a percepção da importância de suas atividades fazendo com que se sentissem importantes para a organização.

E o que os resultados desta pesquisa tem a nos ensinar depois de quase cem anos?

Muitos estudos a respeito mostram que:

– a cultura implementada no local de trabalho tem importância na produtividade;

– as condições oferecidas para o desenvolvimento do trabalho também tem importância na produtividade sendo que salário e número de horas trabalhadas não foram variáveis importantes;

– o fator comportamental (informalidade nas relações) de líderes e gestores, também influenciam a produtividade;

– a interação e a cooperação entre os membros da equipe também afetam positivamente a produtividade.

– quando um grupo informal de colaboradores se identificou com a administração, houve a tendência de aumento da produtividade.

Uma análise final destas conclusões mostrou a necessidade de se enfatizar o papel dos colaboradores como Seres Humanos Integrais e não mais o tipo de tarefa ou o tipo de estrutura das empresas ou organizações.

Este estudo pioneiro, infelizmente, é pouco ou quase nada enfatizado nos dias de hoje. Parece que em um mundo V.U.C.A. ou em fase beta, o fator humano deixou de ser considerado fazendo com que os colaboradores ainda sejam tratados como “recursos”, “máquinas” ou “robôs”.

E isto nos mostra um paradigma que necessita ser quebrado: ou seguimos com este modelo antigo e ultrapassado, com todas as consequências físicas e mentais que ocasionam, ou parte-se para a prática real da “humanização”, “espiritualidade” ou “amorização” do ambiente de trabalho.

Está mais do que na hora que empresas, líderes e gestores se conscientizem de que atrás de qualquer resultado, tecnologia, desenvolvimento de projetos ou prestação de serviços existe sempre um Ser Humano Integral.

Daí, a meu ver, que os líderes e gestores destes novos tempos, devem ter duas grandes preocupações, conforme mostro abaixo:

Esta figura procura mostrar como o líder da era 4.0 deve aglutinar aquelas duas maneiras de se estudar as pessoas, como ensina Chiavenato, em apenas uma. Ao considerar seus liderados como Seres Humanos Integrais, e não apenas pessoas ou recursos, ele acaba se tornando um “líder integral”.

Para que o líder possa exigir um trabalho bem feito e que traga resultados positivos para a empresa, ele deve participar deste processo também proporcionando condições para que seus liderados possam usar todas as suas habilidades, capacidades, competências e expertises; permitir que eles cresçam e se desenvolvam em todas as suas oito áreas (física, emocional, intelectual, profissional, financeira, lazer, relacionamentos e espiritual); fazê-los sentir que fazem algo importante e saber reconhece-los por isso; enfim, criar um ambiente de trabalho agradável e acolhedor, onde eles possam fazer aquilo que gostam com propósito e significado e permitir que recebam um salário e um pacote de benefícios que os remunerem de forma justa.

Procure lembrar sempre a frase de Maya Angelou: “as pessoas irão esquecer o que você falou; as pessoas irão esquecer o que você fez; mas, as pessoas nunca esquecerão a maneira como você fez elas se sentirem”.

 

Autor: Luiz Roberto Fava

 

Siga também nossa página no LinkedIn para manter-se atualizado com nossos artigos e novidades => https://www.linkedin.com/company/lidergia/

 

 

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *