S.M.S. – A LIDERGIA® PARA O TRABALHO EM EQUIPE Parte 6 – A “área do coração” – 1. O coração

Dando continuidade a esta série de artigos sobre o emprego consciente da energia do líder para o trabalho em equipe, hoje quero abordar algo que considero fundamental mas que é pouco ou nunca mencionado: a “área do coração”.

Já me referi em outros textos aos aspectos mais humanos da liderança, como a humanização do ambiente de trabalho (https://lidergia.com.br/s-m-s-a-lidergia-do-trabalho-em-equipe-parte-4-humanizando-o-ambiente-de-trabalho/) e a “amorização” deste mesmo ambiente (https://lidergia.com.br/?s=amoriza%C3%A7%C3%A3o).

A tendência que existe atualmente é exatamente esta. E para isso, o líder 4.0 deve conhecer aspectos pouco conhecidos da arte dos relacionamentos, para mantê-los coesos e duradouros.

A “área do coração” torna-se, neste aspecto, algo de suma importância, tendo em vista os seus constituintes e suas funções.

 

1 – CORAÇÃO

 

Na nossa constituição corpórea existem dois órgãos muito importantes: o coração e o cérebro. Tão importantes que, coincidentemente, são “protegidos” contra traumas físicos (pancadas, quedas, golpes). O coração é “protegido” pelas costelas e o osso esterno enquanto o cérebro é “protegido” pela calota craniana. E, por incrível que possa parecer, a Ciência tem mostrado uma íntima relação entre eles.

O coração é um órgão que se localiza no meio do peito e funciona recebendo o sangue das veias e, como uma bomba, o impulsiona para as artérias. Por isso é um órgão oco, sendo que a ação de bombear o sangue é realizada pelo músculo cardíaco.

É considerado um dos órgãos mais potentes do organismo, apesar de ter o tamanho de um punho fechado e pesar, em média, 250 g nas mulheres adultas e 300 g nos homens adultos.

O coração é o primeiro órgão ao se formar depois da fecundação, enquanto o cérebro só começa a se formar 90 dias depois. Para mais, grande parte do coração é formado por células neuronais, as mesmas que compõem o cérebro, fazendo com que o coração seja considerado, na opinião de Joseph Chilton Pearce como “o maior aparato biológico e a sede da nossa maior inteligência”.

Mas a sua importância não se limita apenas ao aspecto orgânico. E é sobre isto, a “área do coração”, que quero discorrer neste primeiro texto.

Imagine que, do nada, alguém lhe acuse de um deslize ou de uma falta. E, entre surpreso e indignado, você vira para esta pessoa e diz:

– Quem? Eu?

Normalmente, e de forma inconsciente, seu dedo indicador vai apontar para o centro do seu peito.

Duvida?

Então faça o teste com outras pessoas, acuse-as de qualquer coisa e veja o resultado.

E você sabe por que isto acontece?

Nosso coração é considerado o “cérebro” das nossas emoções (boas ou ruins), a parte emocional de uma pessoa, a sede da afetividade.

Inúmeros estudos têm demonstrado que nossos pensamentos, sentimentos e emoções tem uma relação direta com o coração.

Estudos da Neurociência mostram que o coração possui seu próprio sistema nervoso, daí ser chamado de “cérebro dentro do coração” ou “cérebro do coração. Composto por cerca de 40 mil neurônios, cria uma comunicação em duas vias com o cérebro anatômico. As informações enviadas para o cérebro afetam muitas de suas áreas (amigdala, hipotálamo e córtex) fazendo com que nossas respostas sejam positivas ou negativas.

Quem nunca sentiu um “aperto no peito” ou “o coração disparar” frente a uma notícia ou acontecimento repentinos, bons ou ruins?

Por outro lado, a presença de doenças cardíacas pode gerar ou desencadear sentimentos e emoções como medo, ansiedade, estresse e depressão.

Estes fatos mostram a íntima relação que existe entre o coração e a mente.

Para muitos o coração é o símbolo ou a sede de nossos sentimentos e emoções. As pesquisas científicas tem revelado que esta enorme variedade de sentimentos, positivos ou negativos, contribuem enormemente para que nosso coração tenha vigor e saúde ou acarrete seu mau funcionamento ou sua falência.

Nos dias de hoje a Cardiologia avalia que a qualidade dos nossos pensamentos e sentimentos também se constituem em fatores de risco da nossa saúde cardíaca, como o são o colesterol, a pressão alta ou o sedentarismo.

A ele estão relacionados a coragem, o brio, o caráter, a índole, o vigor, o amor e o afeto, que são traduzidos por frases como:

ter um coração de mãe – acolhimento, pertencimento;

ficar sem o coração – ficar sem rumo, sem centro, sem norte;

unir os corações – chegar a um acordo;

ficar com o coração apertado – ficar triste ou magoado;

lembrar com o coração – recordar momentos bons ou ruins;

cortar o coração – causar grande dor ou constrangimento;

sem coração – sem sentimentos, que não se deixa comover, indiferente;

coração duro ou coração de pedra – insensibilidade;

coração mole ou coração de manteiga – facilidade de se comover ou de se emocionar;

coração de leão – demonstrar grande coragem;

coração de ouro – generosidade, bondade;

brigar com o coração – brigar com ousadia e intrepidez;

abrir o coração – confidenciar, falar sobre coisas íntimas;

estar com o coração partido – sofrer uma perda ou uma decepção;

           – estar com o coração nas mãos – estar extremamente preocupado com uma situação;

           – ter o coração nas mãos – enfrentar um problema corajosamente;

           – ter bom coração – ter compaixão;

           – fazer das tripas coração – fazer o possível e o impossível;

           – cair o coração aos pés – ter muito medo, ser surpreendido por algo desagradável;

           – ter coração de pomba – ser bom, generoso

           – ter o coração na boca – candura, veracidade, sinceridade de sentimentos;

           – ter o coração perto da boca – dizer tudo o que se pensa;

           – ter o coração apertado – estar angustiado (passado) ou ansioso (futuro), triste, magoado;

           – brigar com o coração – brigar com ousadia e intrepidez;

           – abrir o coração – confidenciar, falar sobre coisas íntimas.

Ou em provérbios, como:

– as delícias do coração são mais tocantes que as do espírito;

– no coração do homem não há lugar para duas paixões ao mesmo tempo;

– o coração nunca envelhece;

– o coração tem razões que a própria razão desconhece;

– olhos que não veem, coração que não sente;

coração partido é sempre combatido;

coração que suspira não tem o que deseja;

– quando o coração está cheio, os lábios estão silenciosos;

– boca de mel, coração de fel;

– longe dos olhos, perto do coração.

É o órgão que se relaciona diretamente com o Amor, qualquer que seja o seu tipo: ágape, romântico, imediatista, platônico, doentio ou egoísta.

O simbolismo do Amor e coração expressa-se em toda a História do Homem, principalmente nas religiões. Veja, por exemplo, o “lugar secreto” do hinduísmo, o “coração circuncidado ou circuncisado” no Antigo Testamento ou o “sagrado coração” do cristianismo.

Para os egípcios, o coração era o único órgão que era deixado no interior das múmias como “centro” necessário ao corpo para a eternidade.

Nas tradições milenares, é considerado como um importante centro espiritual e o portal para atingirmos o Eu Superior, o estado de samadhi do yoga, o nirvana do budismo ou o reino dos céus do cristianismo.

Através da inteligência do nosso coração, podemos aprender a controlar conscientemente as nossas emoções, em vez de sermos controlados por elas.

 

Coração e Liderança

 

Embora muitas empresas se desdobrem em oferecer inúmeros tipos de benefícios a seus colaboradores, os tempos 4.0 tem mostrado que só isso não basta.

Muito se fala em desenvolvimento de soft skills, aquelas competências que dizem respeito ao comportamento humano, importantíssimas para que alguém se sobressaia no ambiente de trabalho.

E soft skills não tem relação alguma com as hard skills, as competências técnicas para o desenvolvimento de suas funções.

É aqui que entra o coração do líder.

Um líder 4.0 usa, fundamentalmente, seu coração (pensamentos, sentimentos e emoções) para melhorar o engajamento e o desempenho da equipe.

Nos dias de hoje o ambiente de trabalho está mais aberto à participação afetiva e efetiva de seus colaboradores. E isto acaba abrindo espaço para que os aspectos sentimentais e emocionais de cada um se manifestem de forma explícita.

Em empresas que possuem uma cultura emocional de amor no trabalho constatou-se níveis elevados de satisfação entre os colaboradores, entre os membros de equipes e baixos níveis relacionados ao absenteísmo e exaustão emocional, como relatam Sigal Barsade e Olivia O’Neill.

O positivismo de pensamentos, sentimentos e emoções podem ser os maiores e melhores combustíveis empoderadores de uma organização, fazendo os colaboradores trabalharem melhor de forma independente ou em equipe, mesmo sabendo que que conflitos e discussões podem deixá-los desconfortáveis e com os ânimos acirrados.

Finalizo este artigo afirmando que o binômio CORAÇÃO – AMOR é algo que deve se tornar cada vez mais presente, seja dentro das organizações, seja ao nível das nossas prelações pessoais.

Parece-me que, em tempos 4.0, o líder deverá atingir seus liderados de uma forma tal que transcenda o racional e o intelectual. E para isso ele deverá sempre falar COM O CORAÇÃO e DE CORAÇÃO PARA CORAÇÃO.

 

Autor; Luiz Roberto Fava

 

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