NEUROLIDERGIA® – Liderando pelo bem-estar e pela felicidade

Há algum tempo venho procurando mostrar aos líderes e gestores a importância do binômio produtividade x qualidade de vida integral no trabalho.

            Infelizmente a realidade mostra que os índices de desengajamento e de infelicidade no trabalho ainda são altos e que as tentativas de reversão deste quadro estão mais na teoria e no planejamento do que em ações propriamente ditas. Não quero generalizar, pois estou consciente que existem exceções a esta situação.

            Prazer e felicidade no trabalho deveriam se constituir a regra número zero de qualquer empresa que queira se destacar e pertencer à alguma lista das melhores empresas para se trabalhar.

            Uma das frases que mais aprecio quando o assunto é liderança é: o líder deve proporcionar bem-estar e felicidade a seus liderados com a sua presença e fazer com que ambos se perpetuem na sua ausência.

            Esta afirmação me leva a uma outra. Se existe bem-estar e felicidade entre os membros de uma equipe, o líder encontra condições para que o trabalho seja feito de forma inteligente e rápida e não de forma prolongada e estressante. Como dizem os americanos: work smarter, not harder.

            Em textos anteriores – LIDERGIA® – A energia que emana da liderança (https://lidergia.com.br/lidergia/) e LIDERGIA®- A energia que emana da liderança – Aprofundando o conceito (https://lidergia.com.br/lidergia-a-energia-que-emana-da-lideranca-aprofundando-o-conceito/) – tive a oportunidade de mostrar que a energia física e mental dispendidas na prática da liderança quando não empregadas de forma consciente e inteligente pode elevar o nível de “toxicidade” do ambiente de trabalho, fazendo com que aumente o desengajamento, o estresse, a ansiedade e até a saída de colaboradores da empresa.

            O projeto LIDERGIA®, baseado no fato de que tudo é energia, inclusive nossos pensamentos e sentimentos, nasceu exatamente com o intuito descrito acima.

            Produtividade e qualidade de vida integral tem seu início dentro do cérebro e da mente de todo ser humano e podem ser “materializadas” através de nossas ações e resultados. Mas não deve ser esquecido que isso só se torna possível quando nossos pensamentos, sentimentos e emoções são direcionados para estes objetivos.

            A verdade é que tudo tem origem no complexo mente-cérebro, naquilo que é invisível aos nossos olhos. As ações e resultados tornam-se a parte visível daquilo que é invisível.

            Nesta linha de ideias, é conveniente lembrar que o líder dispõe de uma excelente ferramenta para empregar de forma consciente aquelas energias. E, nos dias atuais, talvez ela seja, a sua melhor aliada. Esta ferramenta se chama NEUROCIÊNCIA.

            De acordo com Bazzi, a Neurociência estuda e pesquisa o desenvolvimento, a química, a estrutura, as funções e patologias do sistema nervoso, além das suas composições moleculares e bioquímicas.

Devido à evolução e aperfeiçoamento dos equipamentos que captam imagens dos cérebros das pessoas, tem sido possível estudar detalhadamente o funcionamento dos mesmos. Com isso, é possível obter-se informações e resultados científicos a respeito dos nossos pensamentos, sentimentos e emoções que se traduzem nos diferentes comportamentos dos seres humanos.

Neuroliderança

A combinação desta ciência com a liderança foi designada Neuroliderança por David Rock em 2006, e é definida como “a combinação de princípios do funcionamento do cérebro, fruto de pesquisas neurocientíficas, com as áreas de desenvolvimento de líderes, formação de gestão, change management, educação, consultoria e coaching, entre outras. O foco dessa pesquisa concentra-se em quatro grandes aspetos da prática da liderança:

1 – tomada de decisões e soluções de problemas;

2 – domínio emocional, especialmente quando sob pressão;

            3 – colaboração e trabalho em equipe; e,

            4 – promoção da mudança positiva.

            Ringleb & Rock afirmam que as pesquisas sobre Neurociência vêm se expandindo de forma muito rápida devido ao aperfeiçoamento da tecnologia aplicada aos exames do cérebro humano. E à medida que isto ocorre, mais se desenvolve a neuroliderança o que, com o correr do tempo, irá proporcionar o desenvolvimento de novas técnicas e ferramentas que permitirão melhorias na produtividade como um todo. 

Torna-se mister que todo líder esteja atento a estes progressos, pois isto só trará benefícios para si e para a prática da liderança.

Talvez esteja chegando a hora para que líderes e neurocientistas comecem a almoçar juntos.

Neurolidergia®

            Particularmente, proponho o termo NEUROLIDERGIA®, onde se complementam os princípios da Neurociência com os princípios da Lidergia®, isto é, usar nossos pensamentos, sentimentos e emoções gerando energias física e mental de forma consciente, para produzir ações cujos resultados se traduzam pela nossa produtividade com qualidade de vida integral (QVI) e de forma que qualquer indivíduo se sinta feliz com os resultados atingidos.

            Para isso, é fundamental que o líder tenha consciência dos seguintes fatos que a Neurociência já relatou. Mas, acima de tudo, fazer com que nossos pensamentos e sentimentos vibrem em frequências altas, acima de 250 Hz, para que nosso cérebro produza os neurotransmissores ligados ao bem-estar e à felicidade.

            Tratei deste assunto em um artigo recente denominado “Uma D.O.S.E. de felicidade e bem-estar no trabalho (https://lidergia.com.br/uma-d-o-s-e-de-felicidade-e-bem-estar-no-trabalho/).

            Portanto, o líder deve desenvolver dentro de si a necessidade de conhecer esta ciência para empregar suas energias durante a prática da liderança calcada nos achados da neurociência.

            Alguns destes achados foram descritos por Carlos Diz e são reproduzidos abaixo:

– o cérebro é um sistema de conexões entre neurônios e “grava” novas informações, criando novos conjuntos de conexões como circuitos impressos. Aprender, solucionar problemas, tomar decisões são atividades que implicam na “gravação” de novos circuitos, como abrir trilhas num campo gramado.

– nenhum cérebro é idêntico a outro, apesar de todos serem similares. Ninguém pensa de forma idêntica a de outro.

 – a operação consciente consome mais energia (pensar cansa!) e é mais lenta que a operação inconsciente. Para economizar energia e operar mais rapidamente, o cérebro prefere operar inconscientemente, de forma automática. Portanto, tem uma forte propensão a automatizar tudo o que pode ser automatizado. A maioria de nossos comportamentos físicos e mentais é iniciada e ocorre à revelia de nossas consciências.

 – nossa percepção se baseia quase exclusivamente em circuitos gravados e usados de forma automática. Tendemos a interpretar a realidade automaticamente em função de nossa experiência e não da própria realidade. Como dizia Anais Nin “Não vemos as coisas como elas são, as vemos como nós somos”.

– é muito mais fácil criar novas conexões e gravar novos circuitos (aprender algo novo), que apagar um circuito gravado (desaprender algo). Criar novos hábitos é mais fácil que mudar os velhos.

– quanto mais atenção (consciência) se der a um dado circuito de conexões, mais as conexões serão reforçadas (aprofundamento da gravação). A consciência do aprendizado o reforça.

 – a associação de emoção à informação ajuda a aprofundar a gravação reforçando as conexões.

– o cérebro é inerentemente “preguiçoso” e prefere tentar usar o que já sabe, os circuitos já gravados, para lidar com qualquer demanda, antiga ou nova que seja.

– por outro lado, o cérebro possui uma capacidade impressionante e natural para desenvolver novas soluções para problemas antigos ou novos (criar novos circuitos e gerando insights), mas o acesso a esta capacidade precisa ser habilitado e estimulado para ocorrer.

 – a emoção negativa associada à realização de não ter ainda conseguido resolver um problema estimula o cérebro a continuar tentando, e a emoção positiva associada à realização de ter conseguido, o informa que foi encontrada a solução e faz com que seja gravado o circuito de conexões que a gerou (cristaliza o aprendizado). O papel do feedback (dado de forma apropriada) é neurologicamente significativo.

– o cérebro funciona alternadamente em modo proativo – aprendendo, tomando decisões conscientes, formulando novas soluções e criando novos circuitos – ou reativo – usando os circuitos existentes preponderantemente de forma automática. Os diferentes modos ocorrem em partes diferentes do cérebro. A proporção de tempo passado em cada modo varia muito entre pessoas e momentos, mas tendemos a passar muito mais tempo em modo reativo.

– a parte do cérebro responsável por sentir emoções, especialmente a responsável pelo medo, tem o poder de inibir o funcionamento da parte responsável por encontrar soluções. O acesso à inteligência racional – a que medimos via QI – é regulado pela atividade emocional. Quanto mais amedrontados, menos inteligentes somos.

            Depreende-se, portanto, que o conceito de liderança para os tempos atuais e futuros está muito além das discussões sobre estilos de liderança ou se a liderança é algo nato ou algo que pode ser desenvolvido.

            O esquema abaixo ajuda na interpretação do conceito de Neurolidergia®.

O verdadeiro líder deverá, em resumo, estar sempre consciente de:

            – como empregar de forma consciente suas energias física e mental;

            – saber injetar tais energias na equipe e no ambiente de trabalho para que o clima seja sempre positivo;

            – ter consciência das frequências dos sentimentos e emoções humanas constantes do estudo de David Hawkins;

            – saber que a qualidade dos pensamentos e sentimentos tem influência direta na qualidade dos neurotransmissores produzidos em função dela;

            – em climas positivos, a geração dos neurotransmissores produzidos será sempre a daqueles ligados às emoções positivas, emoções cuja frequência estão acima dos 250 Hz;

            – conhecer cada liderado em particular e dar-lhe liberdade para que ele também aprenda a produzir neurotransmissores que produzam bem-estar e felicidade.

            Considerando-se todos estes fatos, a mim me parece que a Neurolidergia® será a ferramenta primordial dos líderes destes novos tempos.

            É esperar para conferir.

Autor: Luiz Roberto Fava

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