FOMO e JOMO

            Nóis fomo, mais nóis vortêmo.

            Provavelmente você deve conhecer esta expressão acaipirada de nós fomos, mas nós voltamos. Para quem conhece o interior do estado de São Paulo, isto não soa estranho.

Mas, o que eu quero abordar, é outro tipo de FOMO.

FOMO é um acrônimo da língua inglesa – fear of missing out – que significa medo de ficar de fora ou medo de estar perdendo algo.

Trata-se de uma síndrome psicológica, descrita inicialmente por Dan Herman em 2000 e, posteriormente definida por Andrew Przybylski e Patrick McGinnis.

Tal síndrome acomete a todos que estejam viciados em redes sociais, desde crianças até adultos mas, principalmente, os integrantes das gerações Y (millenials) e Z.

O vício em redes sociais e o medo de estar perdendo algo, especialmente as experiências prazerosas de seus amigos, incentiva o fato de se ficar conectado de forma constante e permanente, querendo saber de tudo o que acontece e que esteja se passando com eles.

Desta forma, FOMO pode ser:

– sentimento constante de que aquilo que está acontecendo ou sendo sentido por um amigo não está acontecendo ou sendo sentido por você;

– condição causada por uma ansiedade social caracterizada pelo desejo de estar continuamente conectado ao que os outros estão fazendo;

– ansiedade causada pela sensação de estar perdendo algo interessante e empolgante, que pode estar acontecendo em algum lugar, e que é agravado pelas redes sociais;

– uma preocupação compulsiva que alguém pode perder uma oportunidade ou um evento que lhe satisfaça;

– situação onde alguém tem medo ou ansiedade de perder algo em eventos que seus amigos estejam participando;

– apreensão generalizada de que os outros passem por experiências gratificantes e das quais você está ausente;

–  necessidade constante de saber o que os outros possam estar fazendo, associado a sentimentos de inveja e medo de perder alguma atualização, fato ou evento.

Usuários que sofrem desta síndrome acabam por ficar constantemente checando suas redes sociais para se inteirar daquilo que os amigos estão fazendo. E tal obsessão faz com que acabe não aproveitando sua própria vida.

Em resumo, a pessoa tem acesso ao que o outro vive mas sofre por não ter a vida que o outro está vivendo.

Esta sensação de “ausência” e de “não pertencimento” acaba por produzir sinais e sintomas como:

– acaba se tornando um vício, como tabaco, álcool e drogas;

– excesso de comparação e competição social;

– maior distração ao conversar presencialmente com alguém (desvirtualização), ou quando necessitar de foco e concentração, seja nas suas atividades laborais, ou quando estiver assistindo uma aula, participando de uma reunião, lendo um livro, etc.;

– baixa qualidade do sono;

– estafa mental;

– mau-humor;

– tédio e solidão;

– frustração;

– baixa autoestima;

– estresse negativo (distress), podendo chegar ao burnout;

– ansiedade; e,

– depressão.

A quinta pesquisa anual da National Stress and Wellbeing in Australia mostrou dados alarmantes sobre a FOMO:

– 66% dos adolescentes querem compartilhar detalhes de situações boas e felizes no momento que estejam acontecendo, via atualização de seu status no Facebook;

– 60% afirmaram se sentir incomodados vendo seus amigos tendo momentos agradáveis e felizes sem eles;

– 51% afirmaram ficar ansiosos se não sabem o que seus amigos estão fazendo.

Em outra pesquisa, realizada pela Royal Society for Public Health, mostrou que jovens entre 14 e 24 anos acreditam que as redes sociais produzem efeitos deletérios no seu bem-estar.

Na esteira do FOMO, outros problemas foram detectados, tais como:

MOMO – (mistery of missing out) é a inquietação de não saber o que está acontecendo. Pessoas com MOMO são mais ansiosas porque sofrem por não saber o que está acontecendo, porque não há nenhuma postagem sobre algum evento, diferentemente do FOMO, cuja ansiedade é por saber o que estão perdendo;

BROMO – quando os amigos (BROS, em gíria inglesa) não publicam fotos de eventos porque sabem que os amigos que não foram ficarão muito chateados;

FOJI – (fear of joining in – medo de participar) traduz o comportamento de não publicar nas redes porque não sabe o que comentar sobre o evento ou porque imagina que, publicando algo, terá um número de curtidas muito pequeno;

SLOMO – (slow to missing out) – refere-se ao sentimento de começar mal o dia porque, logo ao se levantar, não checou as postagens que perdeu enquanto dormia, postagens estas mostrando que os outros tiveram momentos muito mais divertidos do que os dela.

 

JOMO

 

           Em contrapartida ao MOMO, um novo movimento já está em curso, o JOMO.

Este acrônimo, também de origem inglesa – joy of missing out – significa a alegria ou o prazer em ficar por fora. As pessoas estão, finalmente, redescobrindo o prazer em se desconectar para aproveitar sua própria vida; estão redescobrindo que o offline torna a vida mais divertida, mais leve, mais fluída e mais real.

Tal termo foi criado por Anil Dash como “a alegria por decidir não comparecer a eventos a fim de apreciar uma noite tranquila ou passar o tempo com a família”.

Embora menos conhecido, já está se tornando mais popular, principalmente após a publicação do livro The joy of missing out:finding balance in a wired world de Christina Crook.

JOMO significa prazer e alegria em perder algo que, supostamente, deveria ser vivido e experimentado.

JOMO também pode significar:

– sentimento de alegria por estar desconectado, como uma forma de autocuidado;

– dar um tempo das redes sociais para apreciar o tempo pessoal de forma presente;

– alegria de não estar em todos os eventos, festas e que tais;

– não ter a necessidade de compartilhar compulsivamente o seu cotidiano nas redes sociais;

– decisão consciente de se afastar do mundo online para viver a vida real;

– dar um tempo nas telas para apreciar a vida que está à sua frente;

– preferir estar indisponível para as redes sociais;

– alegria por viver o momento presente de forma consciente, sem estar conectado;

– um ingrediente nutricional para que seu cérebro seja mais saudável e balanceado;

– é a coragem que nos impulsiona a ter o prazer em escolher aquilo que queremos fazer.

A ideia principal não é abandonar as redes sociais onde a pessoa está inserida, mas buscar equilíbrio e racionalidade no seu uso.

Quem consegue entender e praticar o JOMO desenvolve uma capacidade muito maior de viver o momento presente e uma capacidade muito maior de voltar seu olhar para dentro de si mesmo e aumentar seu autoconhecimento.

Saber dizer NÃO ao fato contínuo e permanente de estar conectado faz com que:

– aumente seu bom-humor;

– diminui seu estresse ruim (distress);

– melhora sua autoestima;

– faz você descobrir o que realmente é importante para você;

– você fica mais criterioso e seleciona melhor suas escolhas e decisões;

– você se desconecta para se conectar ao que realmente é importante para você.

Além disso, praticar o JOMO traz outras vantagens como inclusão, diversidade, colaboração, inovação, empatia, significado, alegria e paz.

Bem, creio que daqui para a frente, você tem a chance de escolher seu caminho em relação ao uso das redes sociais.

Sabe aquela frase que abriu este texto? Creio que, agora,  ela poderia ser escrita da seguinte forma:

Nóis fomo pro FOMO, mais vortêmo pro JOMO.

 

 

 

 

 

Autor: Luiz Roberto Fava

 

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