Automotivação, sentimentos e o tipo de profissional

“O castigo mais terrível para qualquer ser humano é a condenação a uma vida inteira de trabalho absolutamente desprovido de utilidade e sentido”.

 

Inicio este texto com esta famosa frase de Dostoiévski tendo em vista o alto grau de insatisfação no trabalho existente em escala global.

Muitas causas já foram detectadas como geradoras desta insatisfação e, consequentemente, da infelicidade que os seres humanos sentem ao realizar alguma atividade laboral. Convém ressaltar que metade dos trabalhadores ocidentais está insatisfeita com seus empregos.

Um trabalho, para nos fazer sentido e ser significativo nas nossas vidas deve nos motivar para que continuemos a realiza-lo.

Mas, sempre é bom lembrar que a motivação pode ser de dois tipos: a intrínseca e a extrínseca. Enquanto a primeira mostra que o trabalho é valorizado como um fim em si mesmo, a segunda trata o trabalho como meio para um fim.

Independentemente do tipo de motivação, o certo é que ela gera, dentro do ser humano, diferentes tipos de sentimentos que o fazem gostar ou não daquilo que ele se propôs a fazer.

Por isso, sempre é bom perguntar a si mesmo: por que eu trabalho?

Muitas podem ser as razões, com pode ser visto abaixo:

– para garantir minha sobrevivência;

– porque “eu tenho que”;

– porque não tenho nada para fazer;

– porque tenho medo;

– para ter segurança;

– para “aparecer” e “me achar”;

– para esquecer meus problemas;

– para crescer e me desenvolver profissionalmente;

– para conquistar e aprimorar minhas relações interpessoais;

– para ser reconhecido;

– pelo prazer de realizar algo e me sentir útil;

– pelos desafios que o trabalho proporciona;

– para deixar um legado.

Para mim, não importa muito qual a razão pela qual eu trabalho. O mais importante é gostar daquilo que você faz.

Quantas pessoas você conhece que se dedicaram a algum tipo de trabalho somente para ganhar dinheiro e se deram mal? Por outro lado, quantas se dedicaram a algum trabalho por gostar daquilo que faziam e que ganharam muito dinheiro com ele?

Quem gosta do que faz, além de fazer bem, procura fazer sempre melhor. Ele o executa bem, com capricho, dedicação e esmero, fazendo com que seus clientes fiquem felizes e o elogiem por isso.

Mas, cuidado!

Quando gostamos muito do que fazemos, podemos nos deixar levar, fazendo com que o trabalho acabe sendo a única fonte da nossa felicidade. Assim, acaba-se  trabalhando muito, reclamando que o trabalho nos toma de 10 a 12 horas do nosso dia, levamos trabalho para caso e não nos desligamos dele e, acabamos só falando dele com os amigos.

O trabalho passa a ser uma espécie de prazer mórbido que faz com que nos tornemos um workaholic (viciado em trabalho) para a empresa e um tremendo chato, um “mala sem alça”, para seus amigos.

Isto tudo em troca do seu orgulho por ser bom naquilo que faz?

Embora a motivação lhe faça gostar daquilo que faz, isto é, um forte sentimento de prazer, de apreciação positiva, sempre é bom recordar que este sentimento pode se manifestar de três maneiras diferentes: o apego, a paixão e o amor.

O apego

            Apego nada mais é do que manter uma ligação com algo, mesmo que não nos sintamos realizados ou verdadeiramente realizados.

O aspecto ruim do apego é que ele gera angústia e sofrimento pelo fato de fazer com que o indivíduo e a fonte geradora do apego acabem se transformando em uma única coisa.

Veja o exemplo: um alto executivo tinha o sonho de ter um carro esportivo de último tipo, blindado, conversível e que chegasse aos 100 km por hora em menos de 10 segundos.

Bem, ele trabalhou, trabalhou… e conseguiu realizar seu sonho.

Neste dia, resolveu sair para comemorar e mostrar aos seus amigos sua conquista.

Só que, ao voltar para buscar sua “máquina”, viu, com pesar, que a pintura estava toda riscada. Alguém tinha feito um “belo” serviço com um prego.

Ele ficou tão nervoso, mas tão nervoso, que teve um ataque cardíaco e morreu.

Fica a pergunta: o estrago foi no carro ou foi nele?

Um profissional que tem dentro de si apenas apego ao trabalho é aquele que apenas está no lugar certo na hora certa.

É aquele profissional que, mesmo sendo bom naquilo que faz, é um escravo do trabalho e vê na sua atividade a fonte da sua sobrevivência., Ele trabalha para pagar suas contas, não se compromete com a empresa e, certamente, não consegue vislumbrar seu futuro profissional.

A paixão

            Quando você é bom naquilo que faz, mas é um apaixonado, isto mostra uma evolução: você não apenas sobrevive, mas sabe que seus resultados lhe trarão ganhos para construir um patrimônio.

Ele sabe o que quer pois tem consciência do seu dom e dos seus talentos. Entretanto, ele os emprega para obter ganhos financeiros e não tem maiores compromissos com a empresa. Está sempre atento a ofertas mais interessantes ou a novas oportunidades de negócios.

Paixão é um sentimento muito forte, intenso, mas que pode durar pouco.

Talvez por isso, um profissional bom no que faz, mas apaixonado, sempre acabe trocando a atividade atual por outra que gere maiores ganhos financeiros.

Este profissional que une seu dom aos seus talentos pode ser considerado como a pessoa certa, no lugar certo e na hora certa.

O amor

            Já o amor pelo trabalho nos traz um sentimento de plenitude, de satisfação infinita, porque é realizado com um propósito definido que não apenas sobreviver ou ganhar dinheiro para construir um patrimônio.

Amor se associa à entrega, à confiança, à paz e à doação.

Quem ama aquilo que faz tem a consciência que, além do dom e dos seus talentos, segue sua vocação.

É o trabalho transformado em poiesis. É aquela atividade onde eu me vejo e sou reconhecido por causa disso.

Este profissional não quer apenas sobreviver ou ganhar dinheiro, mas ele trabalha naquilo que gosta porque sua atividade lhe faz sentido no presente, e que fará disso um legado que, no futuro, o fará sempre ser lembrado.

É um profissional que trabalha em consonância com seus valores aliado a um propósito. É aquele que percebe seu trabalho como uma missão para a qual foi escolhido.

Um profissional deste naipe torna-se a pessoa certa, no lugar certo, na hora certa e com a razão certa.

Sentir amor pelo trabalho, infelizmente, é privilégio de poucos.

A grande maioria não vê realização naquilo que faz, mas trabalha em busca de sucesso, de segurança, de poder e de status.

O tipo de sentimento gerado pela motivação intrínseca pode ser o responsável por nos transformar em um dos três tipos de profissional citados acima. E graças ao nosso livre arbítrio, podemos escolher qualquer um deles.

E você, já fez a sua escolha?

 

 

Autor: Luiz Roberto Fava

 

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