Antes de entrar no elevador…

Alguma vez você já imaginou utilizar um elevador que, ao entrar, começasse a tocar uma música? Não?

Então, imagine. Você mora ou trabalha em um edifício dotado deste tipo de elevador. No primeiro dia, você entra e começa a tocar:

Eu nasci assim, vou viver assim, vou morrer assim…

No segundo dia, você entra e começa a tocar:

Deixa a vida me levar, vida leva eu…

Já no terceiro dia, ao entrar, a música que toca é:

Todo dia ela faz tudo sempre igual…

No quarto, quinto sexto dias e, em todos os outros dias, uma destas músicas estará tocando quando você entrar no elevador. E, depois de alguns dias, você acaba se enchendo de tanto ouvir tocá-las.

Mas, pergunto-lhe; você parou para pensar sobre isso? Qual a razão para escutar sempre as mesmas músicas?

Na minha opinião, a resposta está naquela tabuleta que diz:

 

ANTES DE ENTRAR NO ELEVADOR VERIFIQUE SE O MESMO ENCONTRA-SE NESTE ANDAR

 

Todos os dias, você abra a porta do elevador e quem está lhe esperando? O MESMO. Todos os dias, trinta dias por mês, doze meses por ano, ele está ali, esperando por você.

E o que você faz? Nada, porque você não o percebe.

O MESMO já faz parte da sua vida.

Este O MESMO nada mais é do que a sua própria rotina. Rotina repleta de monotonia (maneira de se viver sem alteração de hábitos, viver de forma uniforme e sem variação) e mesmice (marasmo, inatividade, pasmaceira) que permeia o seu dia-a-dia, o seu cotidiano, aquilo que você faz todos os dias.

Infelizmente a rotina faz parte da vida de qualquer Ser Humano. Cada pessoa vive, trabalha, constitui família, etc. baseada em seus valores, crenças, princípios, que vão sendo desenvolvidos durante o seu viver.

A mesmice tira das pessoas oportunidades para melhorar sua vida, chances de descobrir coisas novas, seja através de seu poder de criatividade e inovação, seja através de outras pessoas, diminuição da sua vontade de aprender e muito, muito medo de enfrentar o novo. E isso pode levar a pessoa a se considerar uma fracassada.

Jorge Saitori afirma que “muitas vezes o fracasso é criado de forma íntima, ele não ocorre por fatores externos e sim por condições internas, onde o produtor ou fracassado tem uma série de condicionamentos e vícios de conduta. Não escolhe para si e nem por si. Não toma decisões, percorre o caminho do muro e quase sempre vive recuado, enraizado na sua zona de conforto. O fracassado se apega a valores momentâneos, deposita a sua segurança na ilusão de que está tudo bem. Mudança é um termo assustador, por mais hostil e infernal que esteja o cenário”.

Por isso, muitas vezes, as pessoas continuam a cometer os mesmos erros dos seus pais. Veja o exemplo citado por Simon Franco em seu livro Criando o próprio futuro (editora Futura). Nele, o autor relata um fato, verdadeiro ou não, que se passou no dia de Ação de Graças, um dos dias mais importantes nos Estados Unidos.

Neste dia, uma família de quatro gerações (filha, mãe, avó e bisavó) se reuniu para tal celebração onde, por tradição serve-se peru.

Estando presente uma reporte, esta estranhou o fato do peru ter sido assado em duas metades, e não inteiro, como é o normal.

A repórter, então, perguntou à filha o porquê do peru ter sido assado em duas partes.

– Aprendi com minha mãe.

A repórter fez a mesma pergunta à mãe.

– Aprendi com minha mãe.

Intrigada, questionou a avó.

– Aprendi com a minha mãe.

Em vez de perguntar à bisavó, ela resolveu fazer uma pesquisa sobre o fato e descobriu que, na época da bisavó, os fornos eram muito pequenos e não havia espaço suficiente para assar o peru inteiro.

Em contrapartida, veja o que nos ensina este conto budista.

Uma vez, em um templo budista, o mestre reuniu seus discípulos em uma sala e colocou em cima da mesa um lindo vaso da mais fina porcelana chinesa repleto de flores amarelas lindíssimas, dizendo a eles:

            – Este lindo vaso e estas lindas flores são o problema.

            Todos os discípulos ficaram atônitos e sem reação. Como aquele conjunto de beleza ímpar poderia ser um problema?O que o mestre queria dizer com aquelas palavras?

            De repente, um dos discípulos levantou-se e, com sua espada em punho, dirigiu-se à mesa e, com um único golpe, destruiu o vaso e as flores.

            Os outros discípulos começaram a levantar a voz e a xingar o colega e, quando os ânimos iam se exaltar, o mestre falou:

            – Calma, calma, Ele fez o certo. Eu disse que o vaso e as flores eram o problema e ele agiu de forma correta, destruindo o problema.

            Este monge iniciante não teve medo de enfrentar a situação. Ele sabia que iria destruir algo muito bonito, mas usou o medo a seu favor, isto é, fez do medo o seu aliado para mudar alguma coisa. Ele teve atitude enquanto seus colegas permaneceram na mesmice.

            Voltando, agora, ao início deste texto. Você sabe o que é o elevador? O elevador é apenas a sua própria mente e seus próprios pensamentos. Eles é que podem fazer você descer (quem sabe até o fundo do poço), ficar parado, estagnado, ou levá-lo a patamares (andares) mais altos.

Quem sabe as dicas abaixo o (a) ajudem a vencer o medo e a monotonia:

1 – assuma a responsabilidade pela mesmice que está a sua vida: você é o responsável por este estado de coisas;

2 – acredite que sua vida pode mudar. Aprenda a sonhar e pare de dizer “é impossível”;

3 – esclareça para si mesmo o que você realmente quer. Estabeleça metas e objetivos.

4 – nunca espere pelas circunstâncias ideais. Tire seu traseiro da cadeira e pare de dizer “quando as coisas melhorarem…”

5 – tenha equilíbrio para vencer eventuais frustrações. Não se pode vencer em 100% das vezes.

6 – aprenda a lidar com a inveja gerada pelo seu desempenho, lembrando sempre da seguinte frase: “desejo saúde e vida longa aos meus inimigos, para que assistam de pé a minha vitória”.

7 – tenha sempre em mente que o sucesso alcançado hoje, amanhã será passado. Não se deixe “contaminar” por ele. Lembre-se que tudo que sobe, cai. E quanto mais sobe maior a queda.

Gil Gabrielli, em seu texto Pessoas do século 21, empresas do século 20 (Revista Você S. A., maio 2011) afirma que “o espírito de nosso tempo é a magnificência de fazer coisas que mudam o mundo! É a era das grandes verdades, da inteligência universal, do livre arbítrio, da autoridade moral, das idéias transformadoras e da ciência dentro da espiritualidade”.

Por isso, de hoje em diante, ao esperar pelo elevador, preste atenção àquela plaquinha grudada na parede. Se, ao abrir a porta do elevador, você encontrar O MESMO, não relute em dizer NÃO.

E aperte o botão para subir.

 

Autor: Luiz Roberto Fava

 

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